terça-feira, 22 de março de 2011

REDAÇÃO II - EXPOSIÇÃO DE IDEIAS

   É comum que uma questão seja abordada a partir de diferentes perspectivas ou que diferentes explicações sejam apresentadas para um mesmo problema. Desde que claramente organizadas, essas informações distintas podem ser expostas em um mesmo texto.

FALSA TRISTEZA

De onde vem a expressão "lágrimas de crocodilo"?
                     Tulio Ruiz, Atibaia, SP

   A expressão "chorar lágrimas de crocodilo", que significa manifestar cinicamente uma falsa tristeza, possui pelo menos três explicações diferentes. A primeira hipótese, atribuída ao historiador romano Plínio, o Velho (23-79 d.C.), diz que os crocodilos que habitavam as margens do rio Nilo choravam ruidosamente e manifestavam desespero para atrair a atenção e despertar a comapaixão dos passantes, que, assim que se aproximavam, eram devorados.
  A segunda teoria vem de uma lenda medieval, segundo a qual os crocodilos costumavam chorar após devorar alguém.
   A terceira explicação, mais provável de todas, diz que, quando o crocodilo mastiga suas vítimas, faz uma forte pressão contra o céu da boca, comprimindo as glândulas lacrimais, o que acaba provocando o derramamento de lágrimas.

                                             Reinaldo Pimenta. Revista Galileu. São Paulo, Globo, janeiro de 2003, pág.7.

EXPLORAÇÃO DAS ESTRUTURAS TEXTUAIS

1. Marque as alternativas que identificam os principais objetivos do texto.
a. Discutir diferentes opiniões.
b. Apresentar diferentes explicações.
c. Defender uma opinião.
d. Contar uma lenda.
e. Destacar a explicação mais provável.

2. O primeiro período do primeiro parágrafo possui duas informações. Identifique-as.


3. Transcreva do texto três expressões empregadas pelo autor para apresentar de modo organizado as três explicações sobre a expressão "lágrimas de crocodilo".


4. Observe a expressão em destaque na frase a seguir.
   "A segunda teoria vem de uma lenda medieval, segundo a qual os crocodilos costumavam chorar após devorar alguém."
a. Indique uma palavra ou expressão que possa substituí-la.

b. Marque, dentre as afirmações abaixo, a que melhor explica o emprego dessa expressão.
1ª. Trata-se de um conectivo que relaciona as duas orações expressando causa.
2ª. Além de relacionar as duas orações, a expressão indica que não se trata de uma afirmação do autor do texto.
3ª. Trata-se de uma expressão que apresenta uma citação.

5. A primeira explicação é atribuída a um historiador romano;  a segunda provém de uma lenda. Embora não se apresente no texto, a que ou a quem poderia ser atribuída a terceira explicação?

6. Embora o autor do texto não se preocupe em defender nenhuma das explicações apresentadas, acaba se posicionando por uma delas. Transcreva a expressão que revela esse posicionamento.


7. Para organizar parágrafos, devem-se considerar as diferentes informações expostas no texto.
a. Explique por que o autor elaborou três parágrafos.


b. Haveria outra possibilidade de organização dos parágrafos? Explique.


RESGATE - O texto que expõe ideias, via de regra, apresenta uma introdução para indicar o assunto ao leitor e o número de explicações que serão apresentadas. É aconselhável que as diferentes ideias sejam organizadas por expressões linguísticas como: a primeira hipótese; no segundo caso, etc.
Não é obrigatório que o autor escolha uma das explicações que apresenta como sendo a melhor ou a mais correta.


domingo, 20 de março de 2011

ATIVIDADES SOBRE REDAÇÃO I - CUIDADOS COM A MENSAGEM

1. Leia este texto:

 Desde o início da colonização europeia do Brasil, a Mata Atlântica vem sendo devastada e hoje está reduzida a apenas 7% de sua área original. Para protegê-la, precisamos de sua ajuda!
    Desde 1992, o movimento ambientalista aguarda a aprovação pelo Congresso Nacional do Projeto de Lei (PL) da Mata Atlântica, que define o uso e a proteção do bioma. Nesse sentido, a Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA) lançou no dia da Mata Atlântica (27 de maio) a campanha Faça a lei com as suas próprias mãos. Assine pela Mata Atlântica.
   A campanha tem como objetivo colher mais de 1 milhão de assinaturas a favor da aprovação do PL da Mata Atlântica e, com o aval dos cidadãos brasileiros, pressionar os representantes do Legislativo a aprová-lo.
                                                                             http://www.desmatamentozero.ig.com.br/

Atividades:

a. A frase "Faça a lei com as suas próprias mãos" poderia ser entendida, fora do contexto, como um encorajamento à agressividade? Explique por quê.

b. Explique qual seria a interpretação desejada pelas ONGs que defendem a Mata Atlântica.


2. O texto a seguir  pertence a uma redação escolar: Os trechos em destaque tornam as informações menos claras do que se desejaria. Leia com atenção.

   Um famoso jogador de basquete, um dos maiores de todos os tempos, já foi obrigado a fazer teste de DNA para provar que Josileine não era sua filha. Como a regra manda, Josileine é realmente filha dele. Assim como depois do resultado, ele continuou ausente como pai, não foi ao casamento da filha e não reconheceu o filho dela como seu neto.

Reelabore os trechos em destaque, seguindo as orientações abaixo.
a. Substitua a primeira expressão destacada por outra que relacione o pedido do teste à confirmação do resultado.

b. No segundo destaque, substitua "assim como" por uma expressão que marque oposição entre a confirmação da paternidade e a ausência do jogador como pai.

3. Em comunicações orais, uma mensagem pode falhar caso o emissor descuide da articulação atenta de cada palavra.
Vamos fazer um pequeno exercício de articulação.

1ª Etapa: Aquecimento
Para conseguir soltar sua voz com mais naturalidade, faça movimentos rotatórios com a cabeça. Levante e abaixe os ombros.
Toque a parte externa de seus dentes com a língua e faça com ela movimentos circulares.
Por cerca de um minuto, aqueça sua voz, fazendo com os lábios aquele barulho de carrinho que fazíamos quando criança.

2ª Etapa: Trava-Línguas
Pronuncie com cuidado as frases que seguem, articulando cada sílaba com muita atenção. Repita pelo menos três vezes, tentando empregar cada vez menos tempo.
  •  Um tigre, dois tigres, três tigres comendo um prato de trigo.
  • Uma rua paralelepipezada por um bom paralalelepipezador, quem quiser desparalelepipezá-la, bom desparalelepipezador será.
 3ª Etapa: Leitura ou Declamação
Escolha e apresente um poema para sua classe. Leia ou declame, mas esteja atento:
  • ao aquecimento vocal;
  • à postura;
  • ao volume de voz que deve empregar para que todos ouçam. 


domingo, 13 de março de 2011

DIFERENTES ASPECTOS DO CÓDIGO LINGUÍSTICO

Para estudar a língua é comum que se façam recortes, ou seja, que ora se examine um aspecto, ora outro. Durante nosso estudo, por exemplo, examinaremos separadamente os aspectos sonoro, lexical, morfológico, sintático e semântico.

Fonologia – é o estudo dos sons da língua, dos acentos de intensidade, isto é, de seu aspecto
                   sonoro.

Lexicologia – é o estudo das palavras que compõem a língua, sua origem, sua formação, as 
 diversas acepções que podem assumir,  as relações que podem estabelecer com outras palavras do mesmo código.

Morfologia – é estudo da forma das palavras. A forma pode ser usada para se identificar a estrutura e o processo de formação das palavras ou pode ser critério para sua classificação, que é chamada de classificação gramatical ou morfológica.

Sintaxe – é o estudo das estruturas de frase, orações e períodos que se podem produzir em determinada língua.

Semântica – é o estudo da construção dos sentidos, quer seja de uma palavra única, quer seja de uma frase ou de um texto.

Há razões práticas para se conhecer essa nomenclatura:
1º. Ela pode indicar o tipo de análise que se deve fazer de um texto;
2º. Ela pode ajudar a encontrar na gramática a informação de que se precisa.

ATIVIDADE TREINO -  Sobre Anúncio da Catedral da Sé, em São Paulo:
1.    A Catedral da Sé, em São Paulo, ficou fechada por alguns anos para ser reformada. Terminado o trabalho, uma das empresas responsáveis pela restauração fez publicar o anúncio a seguir. SÉ RESTAURADA, FÉ RENOVADA.

Identifique aspectos sonoros e sintáticos que tornam interessante e chamativa a frase desse anúncio.

Resposta: Contribuem para a sonoridade da frase a repetição de alguns sons (“sé” e “fé” e os particípios “restaurada” e “renovada”). Sintaticamente, cada parte da frase é construída com um substantivo e um termo qualificativo(adjetivo). Trata-se de uma construção curta, sonora e de fácil memorização.

2. Leia com atenção o provérbio abaixo para responder às questões de 2 a 4.
Quem vende cabritos e cabras [e] não tem, de algum lugar [lhe] vêm.

Destaque do provérbio um aspecto fonológico (relacionado ao som) que tenha chamado sua atenção.

Resposta: Repetição de Alguns Sons – nasais – quem/ tem/ vêm/ ven(de);
/k/ - quem/ cabras/ cabritos;
/b/ e /v/ - cabritos/  cabras/  vêm/  vende

3. Esteja atento à estrutura sintática do provérbio, à organização da frase e identifique a quem se atribuem as ações de vender, ter  e vir.

Resposta: As ações de vender e ter são atribuídas a uma pessoa qualquer, identificada pelo pronome quem. A ação de vir é atribuída aos cabritos (eles vêm de algum lugar).

Atenção– A resposta a esta questão exige duas análises: Morfológica – identificação de número e pessoa do verbo; e Sintática – relação entre Ação e Agente da Ação.

4.  Do ponto de vista semântico, seria correto afirmar que o provérbio faz uma crítica:
a)    À criação de animais.
b)    À venda ilegal de filhotes.
c)    Às pessoas que vendem o que não lhes pertence.
d)    À origem de produtos comercializados.  

terça-feira, 8 de março de 2011

CONTEÚDOS DO 1º ANO ENSINO MÉDIO

1. Leitura e Interpretação: 
  1. Prática de leitura de diferentes tipos de gêneros textuais e compreensão crítica destes.
  2. A relação entre as partes do texto identificando tema e sua delimitação.
  3. Diferenciar Paráfrase de Paródia.
 2. Gramática:
  1. Relacionar a fala e a escrita através do estudo da fonética;
  2. Das convenções ortográficas: da ortografia;
  3. Da acentuação; 
  4. Adicionando o conhecimento da Significação das palavras (Semântica) e,
  5. Também, da Morfologia - processo de Formação de Palavras (radicais (gregos, latinos), desinências, afixos(prefixos e sufixos))

3. Produção Textual:
  1. textos narrativos e descritivos, identificando características típicas da narrativa(conflito, cenário, etc.)
  2. Discurso e organização textual.
  3. Textos lúdicos, literários, poemas, crônicas, contos...
  4. Textos Humorísticos, anedotas, histórias em Quadrinhos.
  5. Textos folclóricos, fábulas, lendas, parlendas.
  6. Textos Informativos, persuasivos, notícia, reportagem, editorial, relato, publicitário.

REDAÇÃO - CUIDADOS COM A MENSAGEM


REDAÇÃO PARTE I

Compadre José e o compadre João estavam campereando a cavalo. Lá pelas tantas, o compadre José disse para o João que tinha uma novidade na fazenda - tinha instalado uma piscina lá no meio das gramas, atrás da casa e convidou, de pronto, o compadre para tomar banho nela.
Ao findar da lida, João saiu troteando em disparada, ganhou a estrada e sumiu de vista.
Quando José chegou na fazenda, apeou do cavalo, olhou para a piscina e qual foi sua surpresa ao ver o compadre João tomando banho... na piscina ... com uma bucha vegetal e sabão de pedra. Exclamou para João:
- Mas bah, tchê!!!! O que estás fazendo?!!!!
João olhou para José sem entender o porquê do espanto e respondeu-lhe:
- Ué?! O compadre não disse que eu podia tomar banho na sua piscina?! ...

Para criar humor da história, explorou-se uma questão de linguagem que nos importa discutir: uma mensagem que  "fracassa" . No caso, a personagem que está dentro da piscina certamente não entendeu a sugestão de seu interlocutor, interpretou-a de maneira inadequada.
 
Nem sempre, contudo, a mensagem falha por culpa do receptor. Veja outro exemplo:

A origem da nossa pindaíba
Na reportagem "O poder da palavra" (29 de agosto), sobre a chegada do dicionário Houaiss às livrarias, Veja publicou uma lista de termos que se tornaram verbetes desse e de outros dicionários. Nessa relação foi incluída a palavra pindaíba ("estar na" miséria), cuja origem, segundo Veja, o Houaiss atribuiria ao dialeto africano quimbundo: mbinda (miséria) mais uaíba (feia). [ ... ] " [ ... ] O Dicionário Etimológico, de Antônio Geraldo da Cunha, também registra a origem tupi da palavra: pi'ná (anzol) mais iua (haste). E descreveu seu significado como planta da família das anonáceas. Qual seria a verdadeira origem da nossa pindaíba?" Os leitores têm razão em levantar a dúvida, mas o dicionário Houaiss contempla todas as observações feitas por eles. Registra a versão de origem indígena e a de origem africana da palavra. Veja é que, por uma questão de espaço, destacou apenas a origem africana.
                                                                      Revista Veja. São Paulo, Abril, 3 de novembro de 2001.

Como se vê, o questionamento de receptores foi determinado por uma escolha do emissor de não apresentar uma informação completa. 

Na maioria das vezes, empregamos apenas a linguagem verbal nos textos que produzimos. Por que uma mensagem, então, "fracassa"? Não se podem listar todas as interferências que determinam uma interpretação indadequada; a "culpa" pode ser tando do emissor quanto do receptor. Por isso, é preciso elaborar as mensagens com cuidado para que não ocorram desvios de sentido.

Ao longo do Primeiro ano do Ensino Médio, destacaremos cuidados que devem ser observados na elaboração de textos. Nesta conversa inicial, listaremos três.

1º. Apresentação do Texto
  • Respeito às margens do papel (não escrever aquém ou além da linha).
  • Emprego de parágrafo (afastamento da margem e maiúscula no início de cada parágrafo).
  • Letra legível (quanto ao desenho, quanto ao tamanho, quanto ao tipo de caneta utilizado ou à cor do lápis).
  • Limpeza (ausência de borrões, rabiscos, manchas).
2º.  Adequação da linguagem ao  receptor
Quando tentamos nos comunicar, é preciso considerar a pessoa a quem nos dirigimos. Esse conhecimento pode determinar, entre outras questões, o nível de linguagem a ser empregado.
   Exemplos: um adulto escolherá o vocabulário e usará frases mais simples se estiver explicando algo a uma criança de pouca idade; um jovem deveria evitar gírias de seu grupo se quisesse ser entendido por uma pessoa idosa.

A questão "adequação de linguagem", entretanto, não se limita a problemas de idade entre os interlocutores. A intimidade ou o distanciamento, às vezes até mesmo o assunto, determinam a maneira como a linguagem deve ser empregada.

3º. Adequação da linguagem ao tipo de texto
  O texto que se produz é determinante também da linguagem a ser empregada.

Exemplos: um e-mail é, via de regra, educado, porém informal; uma prova exige correção, clareza, certa formalidade; as falas de personagens de histórias em quadrinhos variam em função das características dessas personagens; diante de um juiz, um advogado tentará ser correto, claro, e empregará a linguagem característica do direito, para se fazer entender.

Resgate - Deve-se cuidar da apresentação do texto e da adequação da linguagem para evitar falhas na comunicação.